Tudo que é vivo, se regenera

4 mar, 2022

Tudo que é vivo, se regenera

Somos regeneração. Regeneração não é algo novo. Tudo na vida se regenera, é um processo inato a tudo que vive. Neste exato momento, todas as dezenas de trilhões de células do seu corpo estão se regenerando. A novidade é que estamos vivendo um momento único de trazer luz para essa faceta da vida, e de usar as lentes da regeneração para as nossas decisões e ações.

Regenerar tem a ver com recuperar, vivificar e reintegrar sistemas interdependentes. Ninguém melhor que a natureza, que há mais de 4 bilhões de anos promove vida, para nos ensinar sobre regeneração.  Abelhas, antas, lobos e vários outros animais atuam como ativos indutores de biodiversidade, criam mais vida do que destroem. Os povos originários também atuam dessa forma, vivem em harmonia com seu habitat e se preocupam com a sobrevivência não só da própria geração, mas das futuras também.

Monoculturas da mente

Na contramão dessa sabedoria, nos deparamos com uma realidade altamente focada em resultados exclusivos de curto prazo e pautada na colonização. A ação colonizadora impõe uma única forma de perceber e agir no mundo, anulando e marginalizando tudo que é diferente. Superar a visão de mundo colonizadora implica na criação de uma cultura de convite à participação e ao entendimento.

Como coloca Maturana, sem cooperação e alteridade não há futuro. Os problemas que enfrentamos hoje são únicos e inéditos, não existe uma solução pronta para resolver. O pensamento de que há heróis e bandidos para problemas complexos cria loops infinitos dos quais não conseguimos sair. A solução só pode ser construída via autoconhecimento, diálogos e participação.

“A aceitação do outro junto a nós na convivência, é o fundamento biológico do fenômeno social. Sem amor, sem aceitação do outro junto a nós, não há socialização, e sem esta não há humanidade.” Humberto Maturana

Negócios e a cultura regenerativa

Tratar negócios e corporações como inimigos de uma cultura regenerativa é um erro que fomenta mais divisões e separações. É fato que muitas de suas ações são inapropriadas e destrutivas, principalmente com toda informação que temos disponível hoje. Práticas de negócios que durante um tempo foram dominantes deixam de fazer sentido, precisam ser ressignificadas e integrar novos olhares para que novas práticas possam surgir. Negócios se tornam obsoletos para que novos modelos possam surgir. Frente a isso, nos cabe uma postura de questionar, não de diminuir ou marginalizar. O questionamento saudável integra e aproxima, aceita o que não faz mais sentido para que algo novo possa surgir. Honrar e tratar com respeito tudo e todos que caminharam para chegar até aqui, por mais tortuoso que tenha sido, é fundamental para construção de pontes de entendimento e participação.

Por isso, diante de problemas complexos, como as mudanças climáticas e a profunda desigualdade social, precisamos atualizar as lentes que usamos para olhar os negócios. Fomentar a regeneração em nossas trocas com o mundo implica em integrar novos olhares, convidar questionamentos saudáveis que promovam processos de inclusão, entendimento e participação.

Texto escrito por Beatriz Melo.

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