A origem e por que ESG

7 jun, 2021

A origem do ESG: o que é e por que importa para a estratégia das empresas

O ESG se tornou uma expressão recorrente no ambiente empresarial, nas conversas com investidores e nas agendas de governança. Mas, para além da sigla, o tema representa uma mudança relevante na forma como empresas identificam riscos, tomam decisões e criam valor no longo prazo.

ESG é a sigla em inglês para Environmental, Social and Governance — ou Ambiental, Social e Governança. Em termos práticos, trata-se de considerar como fatores ambientais, sociais e de governança afetam a resiliência, a reputação, a competitividade e a perenidade de uma organização.

Mais do que uma tendência ou um conjunto de iniciativas isoladas, ESG convida as empresas a olharem para o seu negócio de forma mais ampla: compreendendo tanto os impactos que recebem do contexto externo quanto os impactos que geram sobre pessoas, territórios, meio ambiente e demais públicos de relacionamento.

Quando surgiu o termo ESG?

A origem formal da expressão ESG remonta a 2004, com a publicação do relatório Who Cares Wins, iniciativa associada ao Pacto Global das Nações Unidas. O documento propunha uma maior integração de questões ambientais, sociais e de governança nas análises e decisões de investimento.

A premissa era clara: fatores antes vistos como externos ao desempenho econômico-financeiro — como mudanças climáticas, relações de trabalho, direitos humanos, ética e qualidade da governança — também poderiam influenciar os riscos e as oportunidades de uma empresa.

Esse movimento contribuiu para o fortalecimento, em 2006, dos Princípios para o Investimento Responsável (Principles for Responsible Investment — PRI), que estimularam investidores institucionais a incorporar critérios ESG em suas análises e decisões.

Nos anos seguintes, o tema ganhou espaço nas discussões corporativas, inicialmente com forte presença no mercado financeiro. Mais recentemente, passou a integrar de forma mais ampla as agendas de estratégia, riscos, cadeia de valor, governança, transparência, cultura organizacional e relacionamento com stakeholders.

O que ESG significa na prática?

Os três pilares do ESG ajudam a organizar temas relevantes para a gestão empresarial.

Ambiental

A dimensão ambiental envolve a relação da empresa com os recursos naturais e os impactos de suas operações, produtos, serviços e cadeia de valor sobre o meio ambiente.

Alguns temas que podem fazer parte dessa agenda são:

  • Mudanças climáticas e emissões de gases de efeito estufa;
  • Uso de energia, água e matérias-primas;
  • Gestão de resíduos e prevenção da poluição;
  • Biodiversidade e uso do solo;
  • Economia circular;
  • Riscos ambientais relacionados às operações e à cadeia de fornecedores.

Social

A dimensão social considera a relação da organização com pessoas e comunidades que são impactadas por suas atividades ou que contribuem para sua operação.

Entre os temas mais frequentes estão:

  • Condições de trabalho, saúde e segurança;
  • Diversidade, equidade e inclusão;
  • Desenvolvimento e bem-estar de colaboradores;
  • Direitos humanos;
  • Relações com comunidades;
  • Privacidade e segurança de dados;
  • Práticas responsáveis na cadeia de fornecimento;
  • Qualidade, segurança e acessibilidade de produtos e serviços.

Governança

A governança diz respeito à forma como a empresa é dirigida, monitorada e responsabilizada por suas decisões, prioridades e resultados.

Essa dimensão pode abranger:

  • Estrutura e atuação de conselhos e comitês;
  • Ética, integridade e combate à corrupção;
  • Transparência e prestação de contas;
  • Gestão de riscos;
  • Políticas, controles e processos decisórios;
  • Definição de responsabilidades e metas;
  • Remuneração variável associada a resultados;
  • Engajamento de stakeholders.

Por que ESG é uma agenda estratégica?

Por muito tempo, temas ambientais e sociais foram tratados por diversas organizações como iniciativas paralelas ao negócio. Hoje, essa separação se torna cada vez menos adequada diante de um contexto marcado por eventos climáticos extremos, pressão sobre recursos naturais, desigualdades sociais, transformações regulatórias, expectativas de investidores, consumidores e demais stakeholders.

A agenda ESG é estratégica porque ajuda a empresa a observar questões que podem afetar sua continuidade e sua capacidade de gerar valor ao longo do tempo.

Isso significa considerar, por exemplo:

  • Quais riscos socioambientais podem afetar a operação, os custos, a reputação ou o acesso a mercados;
  • Quais oportunidades podem surgir a partir da inovação, da eficiência, de novos produtos ou de relações mais responsáveis na cadeia de valor;
  • Como mudanças nas expectativas de investidores, clientes, colaboradores e comunidades podem influenciar as decisões da empresa;
  • Como fortalecer a capacidade de resposta da organização diante de um cenário mais complexo e dinâmico.

Em outras palavras, ESG não substitui a estratégia de negócio. Ele amplia a qualidade da estratégia ao incorporar variáveis que passaram a ser relevantes para a gestão de riscos, oportunidades e impactos.

A perspectiva “de fora para dentro” e “de dentro para fora”

Uma forma útil de compreender ESG é observar duas perspectivas complementares.

A primeira é a perspectiva “de fora para dentro”: como questões ambientais, sociais e de governança externas afetam a empresa.

Mudanças climáticas, escassez de recursos, conflitos sociais, novas exigências de clientes, riscos na cadeia de fornecedores ou transformações regulatórias são exemplos de fatores que podem impactar custos, operações, ativos, reputação e decisões de investimento.

A segunda é a perspectiva “de dentro para fora”: como a empresa impacta a sociedade e o meio ambiente por meio de suas operações, produtos, serviços e relações de negócio.

Nessa perspectiva, entram questões como emissões, geração de resíduos, condições de trabalho, respeito aos direitos humanos, diversidade, relações com comunidades e práticas de compras e contratação.

Uma estratégia ESG consistente busca compreender essas duas dimensões para apoiar decisões mais responsáveis, transparentes e conectadas ao contexto do negócio.

ESG não é uma lista de ações

Uma agenda ESG madura não se resume a campanhas, compromissos públicos ou ações pontuais. Ela exige conexão com a realidade da organização, seu setor, sua cadeia de valor, seus riscos, sua cultura e sua estratégia.

Por isso, o ponto de partida não é copiar práticas de outras empresas, mas entender:

  • Quais temas ESG são mais relevantes para o negócio;
  • Qual é o nível de maturidade atual da organização;
  • Onde estão os principais riscos, impactos, lacunas e oportunidades;
  • Quais públicos precisam ser escutados e envolvidos;
  • Que estruturas de governança, metas, indicadores e responsabilidades são necessárias;
  • Como integrar a sustentabilidade aos processos e decisões já existentes.

Esse caminho demanda escuta qualificada, diagnóstico, priorização e implementação gradual. Não há uma solução única que sirva para todas as empresas.

Como começar uma jornada ESG?

O início de uma jornada ESG pode variar conforme o porte, o setor, a maturidade e os desafios de cada organização. Ainda assim, alguns passos são fundamentais:

  1. Realizar um diagnóstico das práticas, políticas, processos e indicadores já existentes;
  2. Mapear riscos, impactos e oportunidades ambientais, sociais e de governança;
  3. Engajar lideranças e áreas internas para criar entendimento comum sobre o tema;
  4. Escutar stakeholders relevantes para compreender expectativas e temas prioritários;
  5. Definir prioridades e uma estratégia ESG alinhada ao negócio;
  6. Estabelecer governança, responsabilidades, metas e indicadores;
  7. Construir um plano de implementação que seja viável, mensurável e progressivo;
  8. Comunicar com transparência, reconhecendo avanços, desafios e próximos passos.

O mais importante é evitar tanto a inércia quanto a pressa por respostas superficiais. A sustentabilidade precisa ser tratada como uma jornada contínua de gestão, aprendizagem e aperfeiçoamento.

ESG como parte da criação de valor

Quando integrado à estratégia, ESG pode apoiar empresas a ampliar sua capacidade de antecipar riscos, fortalecer relações de confiança, inovar, engajar pessoas e gerar valor compartilhado.

Isso não significa prometer resultados automáticos. Significa reconhecer que os desafios ambientais, sociais e de governança fazem parte do contexto em que os negócios operam — e que a forma como uma empresa responde a eles pode influenciar sua relevância no presente e sua capacidade de se manter sustentável no futuro.

A Em Roda apoia organizações na construção de jornadas ESG customizadas, com diagnóstico, estratégia, governança, aprendizagem, cadeia de valor e transparência. O trabalho parte da escuta atenta e do respeito à realidade, ao nível de maturidade e aos desafios específicos de cada organização.

Sua empresa quer entender em que estágio está sua agenda ESG e quais devem ser os próximos passos? Vamos conversar.

Leia também

Texto de Mariana Kohler


Referências

Principles of Responsible Investment/ Princípios do Investimento Responsável – Fonte: https://www.unpri.org/

The Global Risks 2020 – Publicação disponível em: https://www.weforum.org/reports/the-global-risks-report-2020

The Global Risks 2021- Publicação disponível em:https://www.weforum.org/reports/the-global-risks-report-2021

Publicação disponível em https://www.globalreporting.org/resourcelibrary/Sustainability-and-Reporting-Trends-in-2025-1.pdf

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