Como avaliar a maturidade ESG da sua empresa e definir os próximos passos

7 dez, 2022

A sustentabilidade corporativa se fortalece quando deixa de depender de iniciativas pontuais e passa a orientar decisões, processos e relações de negócio. Mas, antes de definir novos compromissos, metas ou relatórios, é preciso responder a uma pergunta essencial: qual é o nível de maturidade ESG da sua empresa hoje?

Avaliar a maturidade ESG permite compreender o que já existe, identificar lacunas, reconhecer boas práticas e priorizar os próximos passos de acordo com a realidade do negócio. Esse diagnóstico evita dois riscos frequentes: tratar ESG como uma lista de ações desconectadas ou adotar referências externas sem considerar o contexto, a cultura e a capacidade de implementação da organização.

Não existe uma única jornada possível. Empresas de diferentes portes e setores enfrentam riscos, oportunidades, expectativas de stakeholders e níveis de estrutura distintos. Por isso, o diagnóstico deve ser customizado e conectado à estratégia, à governança e à operação da empresa.

O que é maturidade ESG?

Maturidade ESG é o nível de integração dos aspectos ambientais, sociais e de governança à gestão e à estratégia de uma organização.

Essa avaliação não se limita a verificar se a empresa possui projetos ambientais, ações sociais ou políticas de integridade. Ela busca entender se essas práticas são consistentes, mensuradas, governadas e incorporadas à tomada de decisão.

Uma empresa pode realizar iniciativas relevantes, mas ainda ter uma agenda ESG pouco estruturada. Por exemplo, pode promover ações de voluntariado, reduzir o consumo de recursos ou possuir um código de ética, sem que esses temas estejam conectados a riscos corporativos, metas, responsabilidades claras, indicadores ou planejamento estratégico.

Por outro lado, uma empresa em estágio mais avançado tende a tratar a sustentabilidade como parte de sua forma de operar e de criar valor no longo prazo.

Por que avaliar a maturidade ESG?

Um diagnóstico de maturidade ESG ajuda a transformar percepções dispersas em uma visão estruturada da agenda de sustentabilidade. A partir dele, a organização pode tomar decisões mais conscientes sobre onde investir tempo, recursos e atenção da liderança.

Entre os benefícios de avaliar a maturidade ESG estão:

  • Identificar práticas, políticas e processos que já podem servir de base para a evolução da agenda;
  • Mapear riscos, impactos, lacunas e oportunidades relacionados ao negócio;
  • Priorizar temas ESG relevantes de acordo com o setor, a estratégia e os stakeholders;
  • Definir responsabilidades e fortalecer a governança de sustentabilidade;
  • Estruturar metas, indicadores e planos de ação mais consistentes;
  • Preparar a organização para demandas de clientes, investidores, parceiros, comunidades e outros públicos;
  • Criar bases mais sólidas para relatórios de sustentabilidade e processos de transparência;
  • Engajar lideranças e áreas internas em torno de objetivos comuns.

O diagnóstico não deve ser entendido como uma auditoria ou como uma tentativa de classificar a empresa de forma definitiva. Ele é um instrumento de aprendizagem e gestão, que apoia a construção de uma trajetória possível, coerente e progressiva.

Os quatro estágios de maturidade ESG

Na metodologia da Em Roda, a maturidade ESG pode ser observada a partir de quatro estágios: práticas, gestão, estratégia e cultura.

Os estágios não são rígidos nem necessariamente lineares. É comum que uma empresa apresente níveis diferentes de maturidade conforme o tema analisado. Pode haver, por exemplo, uma gestão ambiental mais estruturada e, ao mesmo tempo, desafios importantes relacionados à governança, à cadeia de valor ou ao engajamento de stakeholders.

1. Práticas: iniciativas ainda pontuais e reativas

No estágio de práticas, a empresa pode já realizar algumas ações ambientais, sociais ou de governança, mas elas tendem a ser isoladas, pouco integradas e sem conexão clara com a estratégia do negócio.

Frequentemente, as iniciativas respondem a demandas imediatas, exigências legais, expectativas específicas de clientes ou motivações individuais de determinadas áreas ou lideranças.

Alguns sinais desse estágio incluem:

  • Ações pontuais sem metas ou acompanhamento sistemático;
  • Baixa integração entre áreas e ausência de uma visão comum sobre ESG;
  • Decisões orientadas principalmente pela reação a riscos ou exigências externas;
  • Falta de indicadores para avaliar resultados e evolução;
  • Comunicação baseada em ações realizadas, sem uma estratégia estruturada;
  • Pouca clareza sobre responsabilidades e tomada de decisão.

Esse estágio não deve ser visto de forma negativa. Muitas organizações começam justamente pela experimentação e por ações pontuais. O desafio é transformar boas intenções e iniciativas existentes em uma agenda mais consistente.

2. Gestão: processos mais consistentes e monitorados

No estágio de gestão, a empresa começa a estruturar práticas ESG de forma mais organizada. Há processos, responsáveis e mecanismos de acompanhamento para alguns temas prioritários.

A organização passa a enxergar que a sustentabilidade requer continuidade, melhoria e coordenação entre áreas. Ainda que a agenda não esteja plenamente integrada à estratégia corporativa, já existem avanços importantes na capacidade de gestão.

Alguns sinais desse estágio são:

  • Políticas, diretrizes ou procedimentos para temas ESG relevantes;
  • Monitoramento de determinados indicadores ambientais, sociais ou de governança;
  • Responsáveis definidos em áreas específicas;
  • Processos de gestão de riscos relacionados a alguns temas ESG;
  • Maior articulação entre sustentabilidade, compliance, recursos humanos, suprimentos, comunicação e outras áreas;
  • Iniciativas de capacitação e sensibilização de equipes;
  • Acompanhamento de requisitos de clientes, mercados e partes interessadas.

A evolução a partir desse estágio envolve ampliar a integração da agenda ESG à estratégia, às decisões de investimento, aos processos de planejamento e aos mecanismos de governança.

3. Estratégia: ESG conectado ao negócio e às prioridades corporativas

No estágio estratégico, ESG deixa de ser tratado como uma agenda complementar. Os temas prioritários passam a estar conectados à estratégia de negócio, à gestão de riscos e às oportunidades de criação de valor.

A empresa possui maior clareza sobre os temas materiais, define objetivos e metas, acompanha indicadores e atribui responsabilidades. A liderança participa mais ativamente das decisões, e a sustentabilidade começa a influenciar escolhas relevantes para a organização.

Alguns sinais desse estágio incluem:

  • Estratégia de sustentabilidade ou ESG formalmente definida;
  • Priorização de temas baseada em diagnóstico, riscos, impactos e diálogo com stakeholders;
  • Objetivos, metas, indicadores e planos de ação associados aos temas prioritários;
  • Participação da liderança e de instâncias de governança na supervisão da agenda;
  • Integração gradual de critérios ESG ao planejamento, à gestão de riscos e às decisões de negócio;
  • Processos mais estruturados de transparência e relato;
  • Compromissos públicos compatíveis com a capacidade de implementação e acompanhamento da empresa;
  • Avaliação de riscos e oportunidades ESG na cadeia de valor.

Nesse estágio, o desafio é garantir que a estratégia não permaneça apenas no planejamento. A qualidade da implementação, a disponibilidade de dados, a clareza das responsabilidades e o engajamento das pessoas são decisivos para a evolução.

4. Cultura: ESG incorporado à forma de operar

No estágio de cultura, a sustentabilidade está integrada de forma mais ampla aos processos, à tomada de decisão e à identidade da organização. ESG não depende exclusivamente de uma área, de um projeto ou de uma liderança específica.

As pessoas compreendem como os temas ambientais, sociais e de governança se relacionam com suas responsabilidades. A empresa possui mecanismos de escuta, aprendizagem, acompanhamento e aperfeiçoamento contínuo.

Alguns sinais desse estágio são:

  • ESG incorporado a processos relevantes de negócio e gestão;
  • Lideranças e equipes capacitadas para considerar sustentabilidade em suas decisões;
  • Governança estruturada, com papéis e responsabilidades claros;
  • Diálogo contínuo com stakeholders e incorporação de aprendizados às estratégias;
  • Indicadores utilizados para monitorar avanços, desafios e prioridades;
  • Integração progressiva de critérios ESG à gestão da cadeia de valor;
  • Transparência sobre resultados, limites, desafios e próximos passos;
  • Cultura organizacional que reconhece sustentabilidade como parte da criação de valor no longo prazo.

A maturidade cultural não significa que a empresa tenha resolvido todos os seus desafios. Significa que possui maior capacidade de identificá-los, gerenciá-los e aprender continuamente com eles.

Quais dimensões devem ser avaliadas em um diagnóstico ESG?

Uma avaliação de maturidade ESG deve ir além da existência de iniciativas. Ela precisa analisar a qualidade da integração dos temas à organização.

Entre as dimensões que podem ser consideradas estão:

Estratégia e priorização

  • A empresa conhece seus principais riscos, impactos e oportunidades ESG?
  • Há uma visão clara sobre os temas prioritários?
  • A agenda de sustentabilidade está conectada ao planejamento e à estratégia de negócio?
  • As decisões consideram o contexto setorial e as expectativas dos stakeholders?

Governança e responsabilidades

  • Existem responsáveis, fóruns ou comitês para acompanhar a agenda ESG?
  • A liderança participa das decisões e acompanha os avanços?
  • Há políticas, diretrizes e processos de prestação de contas?
  • Os temas ESG estão conectados à gestão de riscos e controles internos?

Gestão, metas e indicadores

  • A empresa possui dados confiáveis sobre seus temas prioritários?
  • Existem metas, indicadores e planos de ação?
  • Os resultados são acompanhados com periodicidade definida?
  • Há processos de melhoria contínua?

Ambiental

  • A organização identifica e gerencia seus principais impactos e riscos ambientais?
  • Há práticas relacionadas a uso de recursos, resíduos, emissões ou biodiversidade quando pertinentes ao negócio?
  • Os riscos climáticos são considerados nas decisões e no planejamento?

Social e direitos humanos

  • A empresa acompanha temas como condições de trabalho, saúde e segurança, diversidade, inclusão e desenvolvimento de pessoas?
  • Há mecanismos para prevenir e tratar riscos relacionados a direitos humanos?
  • A organização considera impactos sociais em sua cadeia de valor e no relacionamento com comunidades?

Cadeia de valor

  • Critérios ESG são considerados nas compras, contratações e relações com fornecedores?
  • A empresa conhece os principais riscos socioambientais de sua cadeia?
  • Existem processos de engajamento, desenvolvimento e monitoramento de fornecedores?

Transparência e comunicação

  • A organização comunica seus compromissos e resultados de forma clara e proporcional à sua maturidade?
  • Há consistência entre o que a empresa divulga e o que efetivamente gerencia?
  • O relato corporativo contribui para a prestação de contas e para a tomada de decisão?

Cultura e aprendizagem

  • Lideranças e equipes possuem entendimento adequado sobre sustentabilidade e ESG?
  • Existem espaços de capacitação, diálogo e troca entre áreas?
  • A agenda ESG é percebida como responsabilidade compartilhada?

Como transformar o diagnóstico ESG em plano de ação?

O diagnóstico só gera valor quando se transforma em decisões e prioridades. Após identificar o nível de maturidade, a empresa deve organizar uma agenda de evolução realista, com responsabilidades, prazos e mecanismos de acompanhamento.

Um caminho possível envolve os seguintes passos:

  1. Consolidar os principais achados
    Reunir práticas existentes, lacunas, riscos, oportunidades e temas que exigem maior atenção.
  2. Definir prioridades
    Nem todos os temas devem ser tratados com a mesma urgência. A priorização precisa considerar relevância para o negócio, impactos, riscos, stakeholders, capacidade interna e contexto setorial.
  3. Estabelecer governança
    Definir quem decide, quem executa, quem acompanha e como as informações chegam à liderança e às instâncias de governança.
  4. Criar um plano de implementação
    Organizar ações de curto, médio e longo prazo, evitando planos excessivamente amplos ou desconectados dos recursos disponíveis.
  5. Definir indicadores e critérios de acompanhamento
    Selecionar métricas que apoiem a gestão e permitam acompanhar avanços, desafios e necessidade de ajustes.
  6. Engajar pessoas e áreas-chave
    A agenda ESG não se sustenta sem participação de áreas como liderança, riscos, compliance, recursos humanos, suprimentos, operações, finanças, comunicação e relações institucionais.
  7. Comunicar com transparência
    A empresa deve compartilhar sua trajetória de forma responsável, evitando mensagens genéricas ou promessas que não estejam apoiadas por práticas, evidências e capacidade de acompanhamento.

Maturidade ESG é uma jornada contínua

Não existe uma empresa “pronta” em sustentabilidade. O contexto muda, os riscos evoluem, novos temas ganham relevância e as expectativas dos stakeholders se transformam.

Por isso, avaliar a maturidade ESG não é uma etapa única. É um processo que pode ser revisitado periodicamente para apoiar a evolução da estratégia, a melhoria de processos, o fortalecimento da governança e a adaptação às mudanças do ambiente de negócios.

Mais do que buscar um selo ou uma classificação, o objetivo é construir uma agenda capaz de apoiar decisões mais consistentes, relações de confiança e uma visão de longo prazo.

A Em Roda apoia organizações na realização de diagnósticos ESG customizados, considerando o estágio de maturidade, os desafios do setor, a cultura organizacional, a estratégia de negócio e as expectativas dos principais stakeholders.

Sua empresa quer entender onde está em sua jornada ESG e definir prioridades para avançar com consistência? Vamos conversar.

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